sábado, 25 de setembro de 2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

144. Engreek*


A causa dos tomates ganha nova luz.














* A partir de uma ideia original tirada daqui.




terça-feira, 21 de setembro de 2010

143. Positivo

Uma das vantagens de viver em Portugal é que as férias no estrangeiro parecem cada vez mais baratas.

domingo, 29 de agosto de 2010

142. Nos muros


Djurgården



* No prato: Smoke City, Underwater love

sábado, 31 de julho de 2010

140. Haiku

tarde seca de agosto
a cruz branca de pedra
única sombra na terra





* No prato: Dire Straits, Follow me home, extraordinária versão ao vivo (Rockpalast, 1979)

terça-feira, 27 de julho de 2010

139. O Estado que aí vem


DIY policing.






(primeiros pruridos de uma unnatural coalition)



domingo, 18 de julho de 2010

138. Ressurreições



Ao décimo quinto ano.











*No prato: Serge Reggiani, Le déjeuner de soleil

sexta-feira, 9 de julho de 2010

137. Nos muros






















No prato: Nick Cave and the Bad Seeds, Abattoir Blues

quarta-feira, 7 de julho de 2010

domingo, 4 de julho de 2010

135. Incompreensões













Nem os cegos podem ver-se.

domingo, 13 de junho de 2010

134. Por entre as vuvuzelas I


"A equipa americana ainda tentou especular em termos de corredor central"

(Luís Freitas Lobo, Inglaterra / EUA, 12/06/2010, min. 40')

sábado, 12 de junho de 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

sexta-feira, 4 de junho de 2010

131. Some boys tend to act like queens

Dá-se uma volta por aí, por todo o lado onde se publica opinião, e a conclusão é assustadora: somos agora 10 milhões de Vascos Pulidos Valentes. Com 10 milhões de émulos, VPV já é só mais um, neste mar de desprezo próprio, azedume e sarcasmo. Resta-lhe a originalidade da forma, que é de mais difícil apropriação.
Ninguém sabe o que fazer, mas todos têm a certeza de que o que se faz e o que se pretende fazer é risível. Cada português sofre de uma aflição profunda: à sua volta vê apenas burros, incompetentes e oportunistas. Está inexoravelmente sozinho e, assim, não vale a pena.

Se ao menos mais alguém se desse conta disto.




* No prato: CocoRosie, Terrible angels

domingo, 23 de maio de 2010

130. Dog Mendonça e Pizzaboy andem aí

Por um acaso fortuito como todos os acasos, especialmente os que nos trazem coisas boas e inesperadas, encontrei o Filipe Melo num restaurante de Canas de Senhorim, por intermédio de amigos comuns. Creio que já o conhecia, de o ter visto tocar com os Moreira Bros., mas não como autor de BD.
No meio da conversa, vi-me com um exemplar de As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy nas mãos. História e diálogos dele, ilustrações de Juan Cavia, prefácio de John Landis, num thriller divertido e ritmado que mistura pizza, gárgulas decapitadas, Mengele e os esgotos de Lisboa, recheado de referências a filmes de culto. Em apêndice, o making of.
O grafismo e, em particular, o trabalho dos coloristas é irrepreensível, tornando o livro, para além do resto, num objecto bonito.
Cumprindo a recomendação do Adolf, fica um aperitivo e, a seguir, uma das mais deliciosas pranchas de toda a BD.




















* No prato: Girls against Boys, She's lost control (o tema que eu escolheria para a Pazuul, a pequena Pazuzu)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

129. Gn 2

No sábado, ouvi um padre que muito admiro narrar uma bela versão da criação: Adão e Eva foram, ab initio, um projecto de amor divino, que os fez incompletos para que se completassem. Seriam, portanto, resultado e representação do amor absoluto, duas metades do Ser que se realiza na acção.
Não parece que tenha sido bem assim: a história do Génesis é muito mais sombria.
Deus fez o homem e mandou-o cultivar e guardar o jardim do Éden (Gn 2: 15). Só depois percebeu que não era conveniente que o homem estivesse sozinho, e decidiu dar-lhe uma "auxiliar" (Gn 2: 18). E a mulher torna-se necessária apenas quando o homem, tendo dado nome a todos os animais, não descobriu neles uma "auxiliar adequada" (Gn 2: 20).
Portanto: o tédio, a angústia e a insatisfação são anteriores à mulher. Ela "auxiliou" o homem, e alguma coisa melhorou; mas depois ganhou a sua própria agenda (começou por aprender serpentino) e o homem ficou ali, parado e mudo, a olhar o paraíso onde era "inconveniente" que estivesse sozinho. E era, de facto, mas sem que pudesse compreender porquê.
Por isso, se perguntados, continuamos, como Adão, a responder mecanicamente: "Em nada. Não estou a pensar em nada".





*No prato: Pink Floyd, Wot's... uh the deal?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

128.

Here, across death's other river
The Tartar horsemen shake their spears

T. S. Eliot, The wind sprang up at four o'clock







* No prato: Brian Eno, By this river

segunda-feira, 5 de abril de 2010

127. Efeitos secundários

"... em alguns pacientes pode verificar-se náusea, indigestão, irritabilidade, sonhos anormais (...)".
Confirmo. A noite passada voei para o crepúsculo montado numa espécie de cabra alada e o ambiente era mais ou menos este:






Eta remedinho bacano.











*No prato: Lemongrass, A journey to a star

quarta-feira, 24 de março de 2010

126. Whatever works*

TypeIt Image







Durante alguns anos, aquelas EF Windsor Elongated brancas sobre fundo preto foram, simultaneamente, prenúncio de um prazer sempre demasiado curto e, no fim do filme, sinal melancólico de que começava um ou dois anos de privação. Depois, produziu-se um milagre chamado VHS e, com ele, as cópias sôfregas e ilícitas que nos permitiram possuir as fitas. As Windsor Elongated perderam um pouco daquele pathos, hoje servem só de senha aos fiéis.

Whatever works, sem ser estupendo, é um filme divertidíssimo, com um pormenor curioso.
Boris Yelnikoff é, evidentemente, a persona de Woody Allen, onde rodopiam, em caleidoscópio, Virgil Starkwell, Alvy Singer, Isaac e Harry Block. Mas se tivesse sido o próprio W. Allen a desempenhar Boris Yelnikoff em vez do (aliás magnífico) Larry David, suspeito que nos enfadaríamos. As catilinárias corrosivas, intermináveis e hilariantes de Boris ganham outra altura e graça se as desligarmos de W. Allen representando-se a si próprio. Encarnam na nossa realidade, como se fosse possível ser assim para lá de W. Allen.
E eis o paradoxo: a sobre-representação de si próprio conduz, a termo, a que a persona representada fique melhor nas mãos de outro: hello, I must be going.

* No prato: Groucho Marx, Hello, I must be going

sexta-feira, 12 de março de 2010

125. Certi vecchi antichi

Fantástica receita barese de... riso, patate e cozze . Como diz a senhora de amarelo, mondial (créditos: Pino).

sábado, 6 de março de 2010

124. O outro Brasil*









*No prato, outro beija-flor: Itamar Assumpção

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

sábado, 6 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

121. Ad augusta per angusta





















Aos brocardos latinos assistem duas autoridades suplementares:
o génio de uma civilização e o génio da língua.


Este, como verás, é particularmente verdadeiro: lá chegaremos, ao fundo da rua Augusta.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

120. Eterno retorno?

Depois de uma semana de birrinhas entre o Senhor Presidente e o Senhor Primeiro-Ministro e de uma agressão ao Papa, sinto-me tão completamente eighties:

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

119. Autópsia de uma boa intenção















(de qualquer modo, a noite apanha-nos sempre de mãos vazias)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

domingo, 8 de novembro de 2009

117. A presteza do mal









Celebrámos condignamente o primeiro domingo de chuva invernosa: telefones desligados, espreguiçamento geral e, no DVD, Vampyr, de Carl Th. Dreyer (1932); mais logo, castanhas assadas.





Diz Dreyer: "quis criar na tela um sonho acordado e mostrar que o horrível não se encontra nas coisas que nos rodeiam, mas no nosso subconsciente".




A cena da morte do médico (Jan Hieronimko), sufocado pela farinha que vai sendo moída na azenha, foi parcialmente censurada na primeira exibição do filme, em Berlim, no ano de 1932 (tal como, aliás, a execução da vampira com o inevitável ferro aguçado no peito). Na verdade, a agonia do médico foi abreviada.

A edição que comprámos tem as duas cenas originais (mais 53 metros de fita), mantidas na versão francesa. E o médico da aldeia morre, de facto, mais devagar, no meio da farinha branca, exibindo um sofrimento inusitadamente real para a cinematografia da época.

Não mais do que dez anos depois, também em Berlim, Am Grossen Wannsee, decidia-se a Endlösung, onde a sufocação por gás teria um papel preponderante.
Sim, o horrível está no subconsciente, não admira que o mal irrompa de um momento para o outro e se "banalize" (Arendt), na sua realização, com facilidade.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

116. Zizek on Lynch

Desde miúdo que não me importo muito de ficar com gripe. Por alguns dias, o tempo torna-se todo nosso.
Além disso, a febre é um bom pretexto para fugir às leituras profissionais e ler coisas verdadeiramente importantes, ou absorver umas inutilidades, ou embarcar em certos delírios (apenas a partir dos 38,5º C).
Vem isto a propósito de um clip que pus aqui há uns tempos atrás (a cena "Bobby Peru pays a visit", do Wild at Heart) e que vai reposto em baixo. Aproveitei a subida do termómetro e comecei o The Parallax View, de Slavoj Zizek, armazenado para este tipo de situações. A páginas 69, depois da leitura mais linear da cena ["Bobby Peru is a figure of politeness: the true aim of his brutal intrusion is to force Laura Dern to pronounce an offer which she will mean literally, and then treat it as an offer to be refused (since it would be impolite to act on it directly)"] deparei-me com esta outra construção, ela sim adequada aos meus 38º,7 C:

"Another way of accounting for the uncanny impact of this scene (...) is to focus on the underlying reversal of the standard division of roles in the heterosexual process of seduction. We could take as our starting point the emphasis on Dafoe's all-too-large mouth, with its thick wet lips, spitting its saliva around, contorted in an obscene way, with ugly, twisted, discolored teeth - do they not recall the image of vagina dentata, displayed in a vulgar way, as if this vaginal opening itself is provoking Dern into 'Fuck me!' This clear reference to Dafoe's distorted face as the proverbial 'cuntface' indicates that beneath the obvious scene of the aggressive male imposing himself on a woman, another fantasmatic scenario is played out: that of a young, blond, innocent adolescent boy aggressively provoked and then rejected by a mature, overripe vulgar woman; at this level, the sexual roles are reversed, and it is Dafoe who is the woman teasing and provoking the innocent boy."

É engraçado rever a cena com estes (do Zizek) olhos, sobretudo o enquadramento do rosto da Dern (subitamente andrógino) no plano entre os 3'20'' e os 3'30''.






segunda-feira, 26 de outubro de 2009

domingo, 11 de outubro de 2009

114. Lavar os cestos


Ao fim de dois actos eleitorais e tantos meses de discursos, programas, indignações, dilatações do ego, intrigas, acusações, análises e contra-análises, vigilâncias, reserva mental, espionagem, lama e riso barato, processos judiciais, previsões e projecções, mais egodilatações, calculismo e desinteresse e interpretações delirantes,

ficámos mais ou menos na mesma.

Com duas diferenças porém: José Sócrates perdeu a maioria absoluta e Cavaco Silva mostrou quanto vale, como Presidente da República, numa situação de tensão.

Em suma: valeu a pena, viva as eleições.

(foto tirada daqui)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

113. Nos muros


Conheci hoje a anta de Arquinha da Moura (perto de Lajeosa do Dão, entre Tondela e Canas de Senhorim). O registo pode ver-se aqui, uma boa foto aqui.
A mamôa foi reconstruída e dizem que a anta está bem conservada (os primeiros trabalhos de escavação são muito recentes, de 1990). Não pude ver, tem uma bela grade de aço com cadeado a tapar a entrada.

Mas o que mais surpreende são as pinturas nos esteios, reproduzidas no cartaz que está cá fora. Segundo parece, a primeira representa uma "pele esticada", com mais de um metro de altura, ladeada por figuras antropomórficas.




A segunda tem a seguinte interpretação oficial: "Relativamente ao elemento antropomórfico, ele surge-nos segurando, acima da cabeça e com dois extensos raios, um símbolo solar, do qual parece nascer uma segunda representação humana revestido de armação caprina, a mesma que tem sido interpretada como elemento quadrúpede".


Torço para que seja isso, é muito mais fascinante do que um homem a laçar o pescoço de um quadrúpede. Sem ironias.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

112. Lynch on Moby



Do novo álbum, Wait for Me. Animação de David Lynch (muito inspirado em Frank Miller e Loustal).

quarta-feira, 15 de julho de 2009

111. "Profissões"

Logo na primeira vez que a ouvi, em criança, a expressão "profissão de fé" causou-me estranheza. Ainda me explicaram que profissão não significa só ofício, mas a circunstância de os padres oficiarem missas deitou a perder toda a possibilidade de reconciliação racional com o conceito: a institucionalização da intimidade religiosa sempre me pareceu um paradoxo.
Mas não só a profissão da fé: também os profissionais da independência e da heterodoxia me constrangem quando as reivindicam pública e repetidamente, como se assim as acrescentassem.
Exceptuam-se aqueles que o fazem com graça, e a cantar.



110. Da espera sem quartel

Ainda a propósito da paciente espera da "palavra-resumo":

a "Allemanha, esse paiz do philosophismo e das methodificações" (Levy Maria Jordão, O Fundamento do Direito de Punir, 1853).

"Filosofia" e "metodologia" seriam tão (lá está, falta-me aqui o advérbio) escassos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

109. Fixações


Não me passou despercebido, mas na altura certa não consegui fazê-lo. Felizmente somos uns animais, temos gavetas para tudo, mesmo que seja o que o Bénard da Costa podia ter chamado um dos nossos livros da vida, tudo é arquivável.

"Molero diz que tudo pode ser fabricado, incluindo a morte e o amor, muito embora seja mais cómodo, menos definitivo, esperar a palavra-resumo das fontes do instinto, a mais acabada forma de subterfúgio em que se não coloca em jogo nada que seja fundamental" (Molero, a páginas 90).

terça-feira, 23 de junho de 2009

segunda-feira, 15 de junho de 2009

107. Hay que tenerlos (e se for preciso, importem-nos)

Há dias, deliciei-me com uma salada de tomate extraordinária na Alemanha. Tomates verdadeiros, doces e sumarentos, de sabor intensíssimo. Aqueles a que chamávamos coração-de-boi e que comíamos só com sal grosso e um fio de azeite dentro de um pão. Antes de usarmos o dinheiro dos alemães para produzir estas bolas insípidas de água vermelha que nos vendem por tomates.

domingo, 24 de maio de 2009

106. Evoluções






















Prisão de Bodmin, Cornualha

(última utilização em 20 de Julho de 1909)

























St. Ives, Cornualha

(última utilização em 7 de Maio de 2009)