quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

88. Boas Festas


diz quem viu que foi quando desceram, vinham abraçados, as asas enrodilharam-se no cruzamento das linhas, no ponto marcado com um X, como se estivesse marcado, digo, o ponto exacto, ou o encontro, ninguém sabe. mas materializaram-se em cinza, a árvore secou e quem paga o prejuízo, perguntavam os velhos de mãos torcidas.

felizmente sobraram os fatos, e é natal, alguém há-de precisar

sábado, 13 de dezembro de 2008

86. Bukowski meets Muñoz


"(...) and as I got closer























































I saw that his eyes were brilliant, like blue lights watching me."


(Juan Muñoz, Many Times, Fundação Serralves, 2008; Charles Bukowski, Ham on Rye, 1982)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

84. Bit Sematary



Estes estão aqui, quietos e inacessíveis, como se espera deles.















No limbo andarão os outros, os zilhões de outros que destruímos nos rascunhos e fotografias falhadas.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

83. Daniel, sim, mas não neste mundo

O problema do exercício da justiça divina na terra é que os seus destinatários - os punidos e os recompensados - raramente se apercebem de que ela é actuada. Por isso não é bem justiça: é só poder, sob as espécies do castigo e da graça.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

82. Eclosões




81. Coincidências

Hoje fui assinar o meu novo contrato de trabalho.
Minutos depois, na fila para o pão, ouvia uma cliente sentenciar: "de graça trabalham os cães, e ainda levam pancada".
Espero que não fosse um sinal.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

80. Reedições

Por este post do A&OD lembrei-me de um Cartola extraordinário que pus há uns tempos no Mar Salgado, numa série comissariada pela Micha, porém para um público provavelmente pouco cartolista.
Justifica-se uma reedição:

79. Ama a ti próprio como ao próximo

Tratar do corpo é como procurar a salvação da alma: ninguém garante que a renúncia ao vício ou ao pecado nos dê mais vida, terrena ou celeste.
Mas se fazemos o bem por princípio, não haveríamos de começar em nós?

sábado, 15 de novembro de 2008

78. "Long did I lie in the dust of Egypt, silent and unaware of the seasons."*

O que faz o viajante quando o deserto acaba?
Não sei. Começa por sacudir a areia.

* Khalil Gibran, Sand and Foam (1926)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

77. See?



Lions do change!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

76. Nos muros











Angali (2008)

sábado, 20 de setembro de 2008

75. Perse (versão 1.0)


Estreitas são as naus...

2-

No coração do homem, solidão. Estranho o homem, sem beira, ao pé da mulher, ribeirinha. E eu mar de mim mesmo orientado para ti, como na tua areia de ouro misturado, que eu vá de novo e tarde, sobre a tua riba, no desenrolamento tão lento dos teus anéis de argila – mulher que se faz e se desfaz com a vaga que a engendra...


E tu mais casta por estares mais nua, somente de tuas mãos vestida, tu não és Virgem dos grandes fundos, Vitória de bronze ou de pedra branca que se recolha, com a ânfora, nas grandes malhas carregadas de algas dos jornaleiros de mar; mas carne de mulher no meu rosto, calor de mulher sob o meu olfacto, e mulher que alumia o seu aroma como a chama de fogo rosa entre os dedos semi-juntos.


E como o sal está no trigo, o mar em ti no seu princípio, a coisa em ti que fora de mar, fez-te esse gosto de mulher feliz e de quem nos abeiramos... E o teu rosto está revirado, a tua boca é fruto a consumir, no fundo do barco, pela noite. Livre o meu sopro sobre a tua garganta, e a subida, de todas as partes, dos lençóis do desejo, como nas marés vivas, quando a terra fêmea se abre ao mar salaz e macio, ornado de bolhas, até aos seus charcos, suas rias, e a maré alta nos pastos faz o seu barulho de nora, a noite está cheia de eclosões...


Ó meu amor com gosto de mar, que outros apascentem longe de mar a écloga no fundo dos valezinhos cercados – mentas, melissa e meliloto, calores de alisso e de orégão – e que um fale de tomadias de abelhas, e outro assista à parição do anho, e a ovelha feltrosa beije a terra no fundo das paredes de pólen negro. No tempo em que os pêssegos enodam, e os atilhos são escolhidos para a vinha, eu cortei o nó de cânhamo que segura o casco no seu berço, no seu berço de madeira. E o meu amor está sobre os mares! e a minha queimadura está sobre os mares!...


Estreitas são as naus, estreita a aliança; e mais estreita a tua medida, ó corpo fiel da Amante... E o que é este corpo ele próprio, senão imagem e forma do navio? bote e barco, e nave votiva, até à sua abertura média; instruído em forma de querena, e sobre suas curvas afeiçoado, vergando o duplo arco de marfim à vontade das curvas nascidas de mar... Os ajuntadores de cascos, em todos os tempos, tiveram este jeito de ligar a quilha ao jogo das juntas e cavernas.


Nau, minha bela nau, que cede sobre suas juntas e transporta a carga de uma noite de homem, tu és-me nau que leva rosas. Rompes sobre a água cadeia de oferendas. E aqui estamos, contra a morte, nos caminhos de acantos negros do mar escarlate... Imensa a aurora chamada mar, imensa a extensão das águas, e sobre a terra feita sonho aos nossos confins violetas, todo o marulho que ao longe se levanta e se coroa de jacintos como um povo de amantes!


Não há usurpação mais alta do que na nau do amor.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

74. Perse


No próximo dia 20, completam-se 33 anos sobre a morte de Saint-John Perse. Até lá, o ângulo morto é dele, com traduções minhas. Ser amador é ser mais livre.








Mar de Baal, Mar de Mammon

(...)

2.

Com aqueles que, indo-se, deixam às areias as sandálias, com aqueles que, calando-se, se abrem as vias do sonho sem retorno,

Caminhamos um dia para ti nas nossas roupas de festa, Mar inocência do Solstício, Mar despreocupação do acolhimento, e já não sabemos bem onde param os nossos passos…

Ou és tu, fumo do umbral, que por ti mesmo te elevas em nós como o espírito sagrado do vinho nos vasos de madeira violeta, no tempo dos astros incandescentes?

Nós assediamos-te, Esplendor! E parasitar-te-emos, colmeia dos deuses, ó mil e mil quartos de espuma onde se consuma o delito. – Sê connosco, riso de Cumes e último grito do Efesiano!...

Assim o Conquistador, sob a sua pluma de guerra, às últimas portas do Santuário: «Habitarei os quartos interditos e aí passearei…» Betume dos mortos, não sois o adubo desses lugares!

E tu, tu auxiliar-nos-ás contra a noite dos homens, lava esplêndida no nosso umbral, ó Mar aberto ao triplo drama: Mar do transe e do delito; Mar da festa e do fulgor; e Mar também da acção!

*No prato: Michael Nyman, Prospero's Magic (Prospero's Books, 1991)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

73. O primeiro mês

No regresso de férias, encontro um Setembro como gosto, na luz, no tempo, em alegrias doces. Vêm aí os figos e o mourisco, depois as nozes e as castanhas pequenas.
Não sei exactamente em que Era o mundo entra, mas paira por aqui um odor inconfundível de vida nova.



*No prato: David Sylvian, Let the Happiness in

terça-feira, 9 de setembro de 2008

72. Tal como eu suspeitava



"(...) O abismo infame é-me delícia, e a imersão, divina.
E a estrela apátrida caminha nas alturas do Século verde,
E a minha prerrogativa sobre os mares é sonhar para vós este sonho do real... Eles chamaram-me o Obscuro e eu habitava o fulgor".




Saint-John Perse, Du Maître d'astres et de navigation (excerto; tradução minha)

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

71. "... une même vague depuis Troie..."


O ângulo morto vai beneficiar de um imerecido descanso.
Um sonho de muitos anos: ler os Amers numa varanda sobre o Egeu.














, onde tudo começou.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

70. Ike

Quando os homens morrem, ou pelo menos alguns, pensa-se no que deixam.
Ike's Rap II (do álbum Black Moses - 1971), samplado depois pelos Portishead em Glory Box (Dummy - 1994) e Tricky em Hell is Round the Corner (Maxinquaye - 1995).
É só para dizer que isto era 1971:


E, claro, o shaftíssimo Chef de Southpark:

domingo, 17 de agosto de 2008

69. A furore Normannorum libera nos, Domine


Gosto da etimologia, especialmente quando aplicada à toponímia (a propósito: para quem se interesse pelo assunto, vale a pena visitar a toponímia galego-portuguesa e brasileira, de José Cunha-Oliveira).
Sempre me intrigou o nome do lugar Lordemão, por não lhe reconhecer étimos. Ontem descobri, num paper espanhol on-line de um(a) investigador(a) da Universidad Autónoma de Madrid (não assinado), intitulado Incursiones vikingas en la Península ibérica, que Lordemão vem de lordemani ou lordomani, nome por que eram conhecidos os vikings (também chamados de nordmanni, lormanes, leodomanni, etc.). Aprendi que existe outra pequena povoação em León, perto do limite com a província de Zamora, que se chama Lordemanos.
Hoje, descontado um ou outro assalto às casas locais, nada sobra em Lordemão dos homens do norte.

sábado, 16 de agosto de 2008

68. Da alcateia


Num dos trajectos dos meus dias, percorro a Av. Bissaya Barreto desde o Penedo da Meditação até à Cruz de Celas. Vivi ali, até aos dez anos, no que era então o limite da cidade: uma aprazível avenida sem saída, sem circular, aberta às nossas bicicletas e aos passeios pela Quinta das Sete Fontes.
Hoje, com a mesma largura, é um dos principais acessos aos Hospitais da Universidade de Coimbra, ao Hospital Pediátrico, à Escola de Enfermagem Ângelo da Fonseca e ao Instituto Português de Oncologia. No entroncamento com a R. de S. Teotónio, continua a crescer a Urbanização Quinta de Voimarães, onde abundam as mais variadas clínicas e consultórios médicos.
Exceptuando o dos HUC, não existe um parque de estacionamento público no raio de alguns quilómetros (creio que o mais próximo será o do Centro Comercial Avenida, já perto da Baixa). Acontece com frequência encontrar carros parados em frente ao I.P.O., ou circulando muito devagar, vagamente perdidos. Gente que vem de fora, desorientada, à procura do Instituto, ou que encosta para embarcar familiares saídos da quimio assestada ao nenúfar, ou que desembarca velhos desejosos de mancar até à cama dos amores da vida deles.
Há quem buzine desesperadamente atrás destas almas de pássaro, como se a vida estivesse para lhes acabar no dia seguinte. Não sabem, os filhos da puta não sabem.
(Foto de Jean-erik, colhida aqui)

domingo, 3 de agosto de 2008

67. IF - Que reste-t-il


"Dez anos depois de 1998 restam as recordações e a perplexidade. Como podemos ter tido uma ilusão tão perfeita de felicidade? Expo-98, petróleo a vinte euros, apaziguamento e um Verão de bom tempo", pergunta o Francisco Amaral, no lugar do costume, com uma belíssima edição (coroada com Boogie Woogie, dos K & D, e vários Dimitri from Paris).

quarta-feira, 30 de julho de 2008

66. Os aromas de Pessoa


Com o impressionante volume de merchandising que se faz de Fernando Pessoa, é curioso que ninguém se tenha ainda lembrado de criar uma colecção de cinco perfumes.
Os quatro heterónimos deveriam ser bastante diferentes entre si nas notas de cabeça e de coração, com uma nota de fundo comum que seria, no ortónimo, especialmente pesada.

Imagino o frasco de Alberto Caeiro: um vidro branco, transparente e liso, cilíndrico como um tronco de bétula jovem, tampa de madeira escura; o líquido cor de palha clara.
Nas notas de cabeça, hortelã-da-ribeira acabada de calcar e uma sugestão de bergamota; no coração, urze, rosmaninho e outras rescendências do início da noite mediterrânica; fundo almiscarado.

Ricardo Reis teria um frasco de vidro grosso, marfim opaco, redondo e simétrico, com 12 cms. de altura. Um "R." pintado a borgonha. Impossível descortinar a cor do líquido.
À cabeça, lírios no ponto de murchar; no coração, pêssegos, cedro, soalho gasto, folhas de plátano secas; ao fundo, tabaco frio e tinta da china.

Vejo Álvaro de Campos num frasco metálico, totalmente irregular. A preto, estilizada, uma assinatura ilegível. Nas notas de cabeça, avulta a fuligem e a limalha de ferro, com uma sugestão de limões gelados; no coração, couro novo, ópio e sisal; para o fundo, poeiras cósmicas e óleo de barcos.

Bernardo Soares desponta com café e canela; coração de alpaca e papéis velhos; sem notas de fundo próprias.

Mas Pessoa ortónimo?

quinta-feira, 24 de julho de 2008

65. Nos muros
















Coimbra, 2008

domingo, 20 de julho de 2008

64. Ao fundo, a erva


De um amigo que foi ver o Cohen, a sms ontem







"there is a crack in everything / that's how the light gets in"



Andamos às avessas sobre a perfeição dos círculos ("forget your perfect offering"), a fenda não é sempre notória.

terça-feira, 8 de julho de 2008

63. Istanbul, UK

Antes que o tempo a injustice, fica aquela que é, provavelmente, a única versão de uma música de Tom Waits tão boa como a original: Telephone Call from Istanbul, atendida pelos Belle Chase Hotel (Fossanova, CD Bónus), na interpretação insuperável de Raquel Ralha.


terça-feira, 1 de julho de 2008

62. A fuga dos pássaros empalhados

suq


se pudesses sussurrar-me

o nome__ a rua__ a casa

e acontecesse

o que nunca esteve escrito

segunda-feira, 23 de junho de 2008

61. Nos muros
















Apeadeiro de Bebedouro (Amieiro), 2008

quarta-feira, 18 de junho de 2008

60. Fixações



Já lá vão quase 5 anos, foi o último vídeo. Estas coisas celebram-se quando nos lembramos, não quando o calendário manda.
PS: Para o Filipe: este estava educado, resistiu 5 meses à morte do amor de 30 anos.

59. Todos os anos é (felizmente) a mesma coisa


Jacarandá

Já tinham sido devidamente anunciados (mas de onde vem esta epifania universal?).
A vantagem de uma cidade pequena é podermos fazer o mapa mental de todos os jacarandás e, cada ano, cumprir a mais sôfrega e desvariada das romagens.
É uma boa altura para mandar um abraço ao António Colaço, grande disseminador de jacarandás e blogger amigo, cujo rasto se desvaneceu.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

58. Rescaldo da "crise"


Não foram totalmente estúpidos, aqueles três dias.
Muitos nunca tinham visto supermercados vazios; a outros, lembrou o racionamento do leite, do açúcar e do café. A última vez não foi assim há tanto tempo, mas é como se nunca tivesse sido.
Job era riquíssimo.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

57. Pequenas coisas perfeitas

(...)
Quand la pluie étalant ses immenses traînées
D'une vaste prison imite les barreaux,
Et qu'un peuple muet d'infâmes araignées
Vient tendre ses filets au fond de nos cerveaux,
(...)
C. Baudelaire, Spleen



Philip Glass, The Poet Acts

terça-feira, 3 de junho de 2008

56. Enfiar a carapuça


Numa entrevista que passou há dias na RTP2, Frank Gehry dizia que, perante uma crítica, procura "vesti-la" e ver como lhe fica, se lhe serve.
É assim mesmo. Enfiar a carapuça é uma atitude de abertura ao olhar dos outros, avaliar se nos serve é um juízo de honestidade intelectual.
Só disponível, evidentemente, para quem possua um certo grau de auto-estima.




(Na foto: o fabuloso IAC de Gehry, N. Y.; pode ver-se mais aqui)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

55. Nos muros













Costa Nova, Maio 2008

sexta-feira, 23 de maio de 2008

54. Ainda a propósito do espírito de Hong Kong...

... e porque vem aí o fim de semana, fica uma raridade: Lyn Collins (com Fred Wesley e James Brown), Do Your Thing, Setembro de 1972 ao vivo no Apollo Theatre N. Y. (aposto que nem este amigo tem).

53. Dois sistemas, vários países

















A minha última viagem a Hong-Kong tinha sido há 11 anos, meses antes da transição do território para a RPC.
Está muito mais limpa (o sistema de limpeza e higiene pública tem um exército de trabalhadores), há muito mais gente e o controlo dos passaportes demora muito menos do que no aeroporto de Frankfurt.
Wan Chai continua fervilhante, a estrada para Stanley ainda me extasia, Victoria Harbour vista de Kowloon nunca cansa. Agora não é permitido fumar em alguns lugares públicos ao ar livre (não custa tanto como eu julgava).
Na foto, uma homenagem aos meus companheiros do Mar Salgado, no 5º aniversário.

terça-feira, 20 de maio de 2008

52. Grandes coisas perfeitas



















Bank of China, Hong-Kong (2008)

domingo, 18 de maio de 2008

51. Nos muros













Guarda, 2008

sexta-feira, 2 de maio de 2008

sexta-feira, 25 de abril de 2008

49. Como uma profusão de cravos

Faço parte da última geração que se lembra do 25 de Abril de 1974: tinha iniciado a minha vida social há uns meses, sentado nos bancos da 1ª classe.
Lembro-me do pânico das professoras durante a manhã, das imagens dos tanques na televisão à hora de almoço, da alegria incrédula do meu pai, à tarde já não houve aulas.
Hoje é um belo dia para dar voz à mais bonita guitarra portuguesa: Francisco Filipe Martins, Canção da Primavera nº 1 (1986).
(Link reparado)

terça-feira, 22 de abril de 2008

48bis. Saudações


O abraço é uma coisa diferente. Ou acompanha uma saudação (e não é, portanto, a saudação), ou é uma fórmula epistolar (uma tele-saudação), ou serve as suas verdadeiras funções: impedir que outra pessoa desmorone de tristeza ou manifestar a intensidade de um sentimento. Por exemplo, de gratidão, aos amigos que nos cozinham com esmero os nossos pratos favoritos e abrem a melhor garrafa para celebrar o que vai ficando dos dias.
Ou, no amor, dar corpo à constância inquebrantável.

(Fotografia: P. F. Bentley, para a Time)

terça-feira, 15 de abril de 2008

48. Saudações


Não gosto do modo como nos apertamos as mãos, quero dizer: da repetição banal que avilta o gesto e a sua história.
Um aperto de mão é um risco: pode esperar-nos uma mão mole ou suada, ou suja, ou aquela que não hesitará em nos cravar uma faca pelas costas. Deve portanto praticar-se apenas em grandes ocasiões sociais: o momento em que conhecemos outra pessoa, o testemunho físico da confiança na contraparte de um negócio, o fim da guerra e a declaração de paz.
Fora disso, deveríamos curvar-nos impecavelmente, como os japoneses.
O beijo continuaria reservado para os amigos, os amores e as traições imperdoáveis.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

47. Organic connection












(Micha, Organic connection, 2008)

Gosto muito desta fotografia, roubada aqui.
Dava um grande cartaz para uma boa fita de cybertrash:

terça-feira, 8 de abril de 2008

46. "Há um traço azul no futuro incandescente"

À atenção da seita que segue a IF: passa a morar aqui.

(Para quem não conhece, ou não se lembra, começa assim)

45. Evidence, not proof


A fotografia mais triste do mundo















Duane Michals, This photograph is my proof, 1975

domingo, 6 de abril de 2008

sexta-feira, 4 de abril de 2008

43. Uma dívida antiga

Graças a esta página e às instruções da ana, consegui pôr música no ângulo morto. Infelizmente, o Firefox não permite desactivar a acção "autoplay" cada vez que a página é carregada, mesmo com o código html adequado.
Como a imposição de música numa página é algo que me desagrada muito, El Ciego, de Charlie Haden, que ofereci em tempos ao Luís num aniversário da natureza do mal (a quem aproveito para agradecer o lugar do ângulo morto na nova arrumação dos links), iria ficar aqui só um ou dois dias.
Eis senão quando, através do womenage a trois, descobri que havia uma solução: o Lifelogger.
Quem porfia, não desiste.


quinta-feira, 3 de abril de 2008

42. Nos muros













Colégio da Trindade, Coimbra (2008)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

41. Pequenas coisas perfeitas


O Joker visto por Dave McKean (Dave McKean / Grant Morrison, Batman: Arkham Asylum, 1989)

terça-feira, 1 de abril de 2008

40. Os livros circulares como o mundo


Há livros que lemos várias vezes, ou melhor, que vamos lendo ao longo da vida, sem verdadeiramente podermos dizer que os temos lidos.
São speculi orbis do espírito (talvez Borges tenha sido o primeiro a compreendê-lo de forma racional), e por isso não têm propriamente um princípio e um fim; a cada vez, entramos e saimos numa página qualquer, e nem sequer sabemos se já passámos por aquele território, ou se é uma falsa memória.
No fundo, são enciclopédias encriptadas.

sexta-feira, 28 de março de 2008

39. Fixações



O vídeo é sofrível, mas, como alguém disse, nada é completamente inútil: tudo pode sempre servir de mau exemplo. E esta é uma boa ocasião para perguntar, do fundo da minha ignorância: onde podemos carregar só a música, sem ter de suportar o clip respectivo?

No prato: The Jesus and Mary Chain, Sometimes Always

quinta-feira, 27 de março de 2008

sábado, 22 de março de 2008

37. Vampiros, nightowls, "Cinderellas in reverse"

Estava a ver, com grande empatia, o documentário Wide Awake de Alan Berliner. Estranhamente, fiquei calmo e adormeci.
Quem sabe se é essa a cura: ver documentários sobre a insónia.

sexta-feira, 21 de março de 2008

36. Huic ergo parce, Deus



"The dripping blood our only drink,
The bloody flesh our only food:
In spite of which we like to think
That we are sound, substantial flesh and blood -
Again, in spite of that, we call this Friday good."

T. S. Eliot, East Coker (1940)

terça-feira, 18 de março de 2008

domingo, 16 de março de 2008

34. Domingo de Ramos


"La foi va de soi. La foi marche toute seule. Pour croire il n'y a qu'à se laisser aller, il n'y a qu'à regarder. (...)
Pour ne pas croire, mon enfant, il faudrait se boucher les yeux et les oreilles. Pour na pas voir, pour ne pas croire.

La charité va malheureusement de soi. La charité marche toute seule. Pour aimer son prochain il n'y a qu'à se laisser aller, il n'y a qu'à regarder tant de détresse. (...)
Pour ne pas aimer son prochain, mon enfant, il faudrait se boucher les yeux et les oreilles.
A tant de cris de détresse.

Mais l'espérance ne va pas de soi. L'espérance ne va pas toute seule. Pour espérer, mon enfant, il faut être bien heureux, il faut avoir obtenu, reçu une grande grâce.

C'est la foi qui est facile et de ne pas croire qui serait impossible. C'est la charité qui est facile et de ne pas aimer qui serait impossible. Mais c'est d'espérer qui est difficile

à voix basse et honteusement
. (...)

C'est elle, cette petite, qui entraîne tout.
Car la Foi ne voit que ce qui est.
Et elle elle voit ce qui sera.
La Charité n'aime que ce qui est.
Et elle elle aime ce qui sera."

Charles Péguy, Le Porche du mystère de la deuxième vertu, escrito para o Domingo de Ramos e para o Domingo de Páscoa de 1905.

33. Fixações



Wim Mertens, Struggle for Pleasure (1983) (NB: tem 18 segundos iniciais de suspense negro)

sábado, 15 de março de 2008

32. Nos muros












Muro da Penitenciária de Coimbra, 2008

quarta-feira, 12 de março de 2008

31. Grandes marcas



Maria Izabel, quase sozinha entre o canavial e o mar.

30. Todos os anos é a mesma coisa


Cerejeira

sábado, 8 de março de 2008