quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

99. All that is solid melts into air

Nos últimos tempos, a rádio deixou de matraquear a publicidade dos bancos ao crédito à habitação. Spreads, Euribor, taxa fixa, tudo se desvaneceu e já não se sabe se realmente chegou a existir, mesmo no éter.
Ouvi hoje o novo must: uma conta-poupança, com entregas a partir de 25 euros por mês e, de prémio, uma viagem de avião "para a Europa", ou um desconto de 50% num seguro qualquer.
Sob o lema: "pense em si, poupe".
Quem diria.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

96. Ver, o que é?









sempre viste mal
dizem-me
é um arco falso

eu sinto_____uma ponte
mas é talvez o ângulo
deste lado das grades

95. Jardins lusitanos




sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

94. Not what you think:



... this is not a photoblog.
Faz hoje um ano que o underskincomma começou a lançar os seus filamentos por aí. Parece, mas não é, um blog de fotografia; é uma coisa com fotografias dentro, cuja estrutura - e única regra constante - é clara desde o princípio: a composição por "binómios". Não há texto sem fotografia nem fotografia sem título. Na maior parte dos casos, o sentido é dado pela conjugação (ou, às vezes, interferência) da imagem com o título. Trata-se, assim, de uma subversão (ou, em sentido que já veremos, superação) da velha querela - no reino da fotografia e dos fotógrafos - sobre se as fotografias podem ter um título: sendo a fotografia já, em si mesma, uma apropriação subjectiva ou mesmo falsificação do real, a aposição de um título ou de um texto condiciona e complica o sentido, desviando a atenção da "pureza" da imagem e sobrecarregando-a com dimensões semânticas exteriores à simples percepção visual.
Se esta discussão pode ter lugar na fotografia, não o tem ali onde aquela perturbação do olhar é assumida como parte essencial da obra, que por sua vez consiste em mostrar "um mundo que, sendo o nosso, não é o nosso". Mostrar, e não construir, porque se vai percebendo, em cada desenvolvimento, que ele já existe algures - só não sabemos tocar o eixo sobre que gira, apesar das referências centrífugas (Tom Waits, Sylvia Plath, a perda, o sonho, o humor, o alien, a ilusão).
No conteúdo, ao lado de "binómios" onde pesa sobretudo o lado visual (como em "Well there's one thing you can't lose, it's that feel", "Lho, here I go!", "The tea drinker", "When life imitates art", que são, de si, grandes fotos - e talvez por isso o título surja às vezes como uma excrescência), há outros onde os títulos transformam imagens vulgares em inquietações ("Trying", Feeling Pollock III", "There's always a suspect" - que parece a transposição plástica de "What the hell is he building in there?") ou risos abertos ("Neighbourhood watch" e, em geral, a série "Not what you think").
Mas os meus "binómios" preferidos são aqueles onde as imagens e os títulos se apresentam com o mesmo grau de intensidade, onde os dois elementos aderem sem folga na criação de um sentido original ("Oh yes, I can see now!", "Immigration", "May day", "Mapping the garden", "Split personality", "Hope", "Love at first sight", "La noia", "Keep moving", "Why don't you love me?", "Nightmare III", "Tango", "To Mrs. Plath" e "Grief").
Decerto, "It is all in your mind" - mas é preciso saber rasgar as janelas. Parabéns, miúda!