sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

93. Um lugar triste

Há dias fizemos umas excursões aos mosteiros mais antigos da zona, Lorvão (séc. IX?) e Vacariça (séc. X?). No que aqui interessa: na Vacariça, porque do mosteiro só resta uma casa particular ornada de botijas de gás vazias, carcaças de automóveis e vestígios plumares da preparação de uma cabidela, perguntámos a uma cidadã onde era a antiga prisão. Olhou-nos com um sorriso desolado, que não nos entusiasmássemos muito: "sabe, isto dantes era histórico, agora é só um lugar triste".
À noite, vi a apresentadora de um programa filantrópico perguntar a um rapaz com ar meio perdido, a quem tinham feito uma cirurgia filantrópica: "então, estás contente com as tuas orelhas novas?".
A vantagem da cidadã da Vacariça é que julga haver, em volta, um país melhor.

domingo, 25 de janeiro de 2009

92. Pequenas coisas perfeitas
















"Desperto ainda oiço chegar o inverno -
onde iria com seus martelos de silêncio
seus cavalos lentos pela névoa
os dedos minúsculos sobre a pedra?"


Eugénio de Andrade, Rente à fala

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

90. Whitman na Ribeira das Cambas

A noiseless patient spider,
I mark'd where on a little promontory it stood isolated,
Mark'd how to explore the vacant vast surrounding,
It launch'd forth filament, filament, filament out of itself,
Ever unreeling them, ever tirelessly speeding them.

And you O my soul where you stand,
Surrounded, detached, in measureless oceans of space,
Ceaselessly musing, venturing, throwing, seeking the spheres to
connect them,
Till the bridge you will need be form'd, till the ductile anchor hold,
Till the gossamer thread you fling catch somewhere, O my soul.
(Walt Whitman, A Noiseless Patient Spider); para a Micha, fingindo que hoje é dia 20 de Janeiro.